domingo, 28 de agosto de 2011

Tempo de Chuva

Gosto do tempo quando se avizinha a chuva.

Gosto da espera, do prenúncio,
Do cheiro que chega antes.

Gosto do vento que antecipa a sua intensidade:
“Preparem-se! É mansa. É brava!”
Os pássaros, as árvores a esperam conforme anunciado.

O vento vira,
vira o tempo, vira a roupa, vira a flor

- vira o mundo.

Vento brinca, sacode o varal, faz farra no quintal.

Arrepia a terra que espera...
E a chuva cai.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Solidão

A solidão me comove.
A solidão do tempo passando à porta me comove mais.
É como se arrastasse uma sombra -
Maior a cada dia do ser só.

Casa vazia - a sombra que se estendia à frente,
Embrenhou-se pela casa e seguiu quintal adentro.
Deixou uma solidão comprida, como o olhar que busca.

A cada dia a sombra se alonga.
Isso me comove.

Meus olhos se desacostumaram do choro.
Acho que se conformaram.
Eles se aperfeiçoaram a olhar, observar.
É quase fim de tarde – a sombra me entristece.
Ela, a sombra, se estende – a vida não.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eu vou pra Minas

Eu vou pra Minas.
Lá eu dispo a minha armadura,
Deponho as armas,
Refaço o caminho e o enfeito de sempre-vivas.

Eu vou pra Minas.
Subir as montanhas, prosear com o vento
(conversas antigas),
esquecer o tempo num pé de jabuticaba Sabará.
Quem sabe ainda encontro guabiroba por lá!

Eu vou pra Minas.
E num galho de arruda
Vou me livrar do quebranto e do mal-olhado,
Espinhela caída e “vento virado”.

Eu vou pra Minas.
Lá há uma casa com ladrilhos,
Ora-pro-nóbis no quintal, terra vermelha,
madeira lustrada com óleo de peroba.

Vou buscar um terço pra rezar,
Vou trazer mais saudade e
Muita história pra te contar.