sexta-feira, 5 de abril de 2013

Cedro


Me dê uma centelha ou um facho de luz – tanto faz.
Qualquer coisa que em minhas noites insones
Me faça crer  em encantos – recantos.
O clarão que alumia as lembranças mostra (quase sempre)
o que não quero ver – não quero ter.

Preciso abrir os meus braços, o meu peito,
e me deixar escapar – deixar de ser.

O vento que assopra os meus cabelos não me acarinha.
É noite de verão, mas parece inverno.
Faz frio, muito frio.

Lá, aonde nasci, as ruas eram feitas de areia branca.
Eu sabia do rio, mas nunca o vi. Eu o imaginava tão bonito!
Hoje o asfalto redesenha a cidade com recortes escuros.
Havia uma casa azul – caiada com tinta barata.
Mas era azul.  E o céu também.

Isso é o que faz cintilar as minhas lembranças. É o me que basta.
É a fagulha que acorda sentimentos indefinidos:
a essência, o cheiro de manacás trazido pela brisa branda
que areja as minhas lembranças.
Mas não me acarinha.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Desapego

Você espera que eu te traga o sol todas as manhãs
E nem se lembra de que plantei tantas flores no nosso jardim.
Elas, as flores, precisam que a chuva venha, doce e fria.
Mas, você insiste na luminosidade e no calor todos os dias.

Ah, meu amor, quem me dera que teus olhos vissem além.
Além da cortina e da janela.
As flores estão lá fora – agradecidas e vibrantes.
Elas sabem que ainda haverá sol, talvez não hoje - noutro dia.
E esperam confiantes.

Ah, meu amor, quem diria que as flores sabem mais,
Mais da vida e da luz de cada dia.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Simples Assim



Inda há pouco caiu uma chuva – boa chuva!
Logo depois o céu se azulou de novo – esplêndido! - Assim, recém lavado.
Até parece que a cor que o coloriu respingou nas hortênsias.

Eu queria que você pudesse ver, queria que estivesse aqui.
À porta da casa eu procuro numa esperança infantil da sua presença.
Queria que viesse ver comigo, mesmo que não dissesse nada.
Só que o visse assim, ao meu lado.
O céu - absoluto.